Entre a superfície e o subterrâneo: o que a Lagoa do Jiqui revela sobre a segurança hídrica de Natal

Em uma cidade que depende majoritariamente de água subterrânea, a qualidade da água não começa nos poços. Ela começa na paisagem. É essa relação que pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), vinculados ao INCT-Klimapolis, vêm investigando a partir de um sistema estratégico: a Lagoa do Jiqui. Para esclarecer mais sobre essa importante pesquisa, o INCT-Klimapolis divulga a realização de duas defesas de mestrado vinculadas ao Experimento de Mundo Real do rio Pitimbu, abordando a Lagoa do Jiqui, importante manancial de abastecimento da Região Metropolitana de Natal (RN).

As pesquisas foram desenvolvidas sob orientação do Prof. José Luiz de Attayde (UFRN), pesquisador do Centro de Ciências Biológicas, com coorientação do Prof. Jonathan Mota da Silva (UFRN), do Departamento de Ciências Climáticas e Atmosféricas, na defesa do dia 24/04, e da Profa. Kelen Lima (UFRN), na defesa do dia 29/04. O foco dos estudos recai sobre os efeitos antrópicos, como desmatamento, urbanização e poluição, especialmente na parte alta da bacia hidrográfica, e seus impactos diretos sobre a qualidade da água da Lagoa do Jiqui.

Os pesquisadores explicam que a questão é estrutural para o abastecimento urbano. Natal depende majoritariamente de água subterrânea, mas a baixa cobertura de saneamento resulta em concentrações elevadas de nitrato em parte dos aquíferos. Como estratégia de adequação aos padrões de potabilidade, a água da lagoa é utilizada para diluir a água dos poços. “ Esse arranjo cria uma dependência direta entre a qualidade da lagoa e a segurança hídrica da população”. Esclarece o Prof. José Attayde.

Os estudos mostram ainda que a lagoa, por sua vez, responde aos pulsos hidrológicos, especialmente em eventos de chuva, quando sedimentos, nutrientes e poluentes são carreados da parte alta da bacia, alterando sua qualidade ao longo do tempo. As pesquisas investigam esses padrões e analisam como o uso do solo influencia esse processo, especialmente em relação a presença de vegetação nativa, que atua como mecanismo de retenção e filtragem, reduzindo a carga de contaminantes que alcança o sistema aquático. Esse entendimento se insere no conceito de serviços ecossistêmicos, reforçando o papel da bacia hidrográfica como infraestrutura natural essencial ao abastecimento. “O que está em jogo não é apenas um corpo d’água. É a capacidade de uma cidade de sustentar seu abastecimento diante da pressão combinada de urbanização, mudanças ambientais e limitações estruturais de saneamento.” Alerta o Prof. Jonathan Mota.

Para apresentar os trabalhos, está marcada a defesa da dissertação de mestrado para o dia 24 de abril, às 8h, no auditório do CTEC/UFRN, no térreo, quando o discente Willian Anderson apresentará o tema: “Cargas de nutrientes e estado trófico de um lago raso urbano da Região Metropolitana de Natal (RN)”. A banca é composta por José Luiz de Attayde (presidente), Fabiana Oliveira de Araújo (UFRN), Jonathan Mota da Silva (UFRN) e Luciana de Castro Medeiros (IFRN).

Já no dia 29 de abril, das 14h às 17h, no POP-RN / Centro de Convivência da UFRN, a discente Alyne Soares de Macêdo defende o trabalho “Relações entre precipitação e qualidade da água em um lago raso tropical e o papel das macrófitas aquáticas”. A banca é composta por José Luiz de Attayde (presidente), Jonathan Mota da Silva (UFRN) e Sidinei Magela Thomaz (UEM).

Link de acesso remoto (29/04): https://conferenciaweb.rnp.br/conference/rooms/webconf-pop-rn-sala-a/invite_userid?institution_slug=rnp