Seminário Klimapolis 2026 avança na identificação de fontes de poluição e aponta lacunas no monitoramento do ar no RN

A segunda edição do Seminário Klimapolis 2026 reuniu pesquisadores e especialistas para discutir emissões atmosféricas e qualidade do ar no Rio Grande do Norte, com foco na aplicação de modelagem computacional e análise de fontes poluentes. O evento que contou com cerca de 100 participantes evidenciou um ponto central: a limitação da rede de monitoramento no RN, que segue o cenário nacional, ainda é um dos principais
entraves para diagnósticos mais precisos.

A apresentação da pesquisadora Iara da Silva, vinculada ao grupo da professora Judith Hoelzemann (UFRN/LACA), com supervisão da professora Leila Droprinchinski Martins, da UTFPR (Laboratório LAPAR), trouxe resultados baseados no modelo WRF-Chem, capaz de simular a dispersão de poluentes mesmo em cenários com baixa disponibilidade de dados observacionais. A abordagem foi combinada com a técnica estatística Positive Matrix Factorization (PMF), utilizada para identificar e quantificar as principais fontes de emissão.”Mesmo em regiões com baixa disponibilidade de dados, a modelagem atmosférica permite estimar concentrações de poluentes e entender a dinâmica da qualidade do ar, apoiando decisões mais qualificadas”, afirmou a pesquisadora.

Os resultados indicam padrões distintos no território potiguar. Áreas litorâneas apresentam maior concentração de poluentes associada à influência de fontes locais e à circulação costeira, enquanto regiões interiores registram maior dispersão atmosférica e menor impacto direto das fontes emissoras. A dinâmica dos ventos, especialmente a brisa marítima, aparece como fator determinante no transporte de partículas. Outro ponto relevante discutido foi o regime químico de formação de poluentes secundários. Em áreas urbanas, há predominância de condições limitadas por óxidos de nitrogênio (NOx), enquanto em regiões rurais o comportamento é inverso, com limitação por compostos orgânicos voláteis (COVs). Essa diferença tem implicações diretas na formulação de políticas de controle, que não podem ser homogêneas.

O estudo também avançou na identificação de “hotspots” de poluição e na contribuição relativa de diferentes fontes, incluindo emissões veiculares, industriais e queimadas. Apesar disso, os pesquisadores destacaram que a validação dos modelos ainda depende da ampliação de dados observacionais no estado.

Como encaminhamento, foram apontados três eixos prioritários: consolidação de inventários regionais de emissões, continuidade das simulações integradas e aprofundamento dos estudos sobre impactos na saúde. Os resultados devem subsidiar políticas públicas mais direcionadas, especialmente no contexto da Política Nacional de Qualidade do Ar (Lei nº 14.850/2024).

O seminário foi realizado no dia 15 de abril, com transmissão online e direito à certificação. O próximo seminário ocorrerá em maio e será aberto para toda os interessados.