A intensificação da urbanização nas últimas décadas tem trazido consequências diretas para o clima local nas grandes cidades. Uma das mais conhecidas é a formação das chamadas ilhas de calor urbanas, fenômeno caracterizado por temperaturas mais elevadas nas áreas centrais das cidades em comparação com regiões rurais vizinhas. Com o objetivo de aprofundar a compreensão desse impacto urbano, o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Mudanças Climáticas (INCT Klimapolis) promoveu, nesta sexta-feira (11), mais uma edição de seu ciclo de seminários, desta vez com o tema “Simulação Numérica com Zonas Climáticas Locais da Ilha de Calor Urbana na Região Metropolitana de São Paulo”. O evento foi realizado de forma remota, com inscrições gratuitas e certificação para os participantes que acompanharam a programação e preencheram o formulário de presença.
A pesquisadora convidada foi Kellyssa Loren de Lima Alves, engenheira ambiental pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e mestre em Meteorologia pelo Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG/USP). Com experiência nas áreas de meteorologia urbana, modelagem atmosférica e impactos ambientais, Kellyssa apresentou os resultados de uma investigação conduzida na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), com foco no fenômeno da ilha de calor urbana e na utilização do modelo numérico Weather Research and Forecasting (WRF) aliado à classificação do espaço urbano em Zonas Climáticas Locais (ZCL).
Durante sua apresentação, a pesquisadora destacou que a expansão acelerada das cidades modifica profundamente o balanço térmico local. Edificações densas, ausência de vegetação e pavimentação excessiva favorecem o acúmulo de calor ao longo do dia e sua liberação tardia à noite, mantendo as áreas urbanas persistentemente mais quentes do que seus arredores. Os dados simulados com o WRF e analisados com base nas ZCLs evidenciam essa retenção de calor e revelam importantes contrastes de temperatura dentro da própria cidade, apontando que há diferenças significativas entre bairros mais arborizados e regiões densamente construídas.
Kellyssa ressaltou que, para compreender adequadamente a formação e a intensidade das ilhas de calor urbanas, é necessário considerar múltiplos fatores: além das condições meteorológicas de grande escala (sinóticas), é fundamental incluir a circulação regional, a escolha de um ponto rural de referência adequado e, principalmente, a morfologia urbana ou seja, a forma como a cidade é construída e ocupada.
A pesquisa não apenas reforça a urgência do debate sobre o impacto da urbanização no clima local, mas também oferece subsídios técnicos e científicos para a formulação de políticas públicas mais sensíveis às questões climáticas e ao planejamento urbano sustentável. Ao lançar mão de ferramentas como a simulação numérica e a categorização das zonas climáticas locais, o estudo apresentado busca contribuir com o avanço de uma abordagem integrada entre ciência, cidade e sociedade.
Aberto ao público interessado em mudanças climáticas, meio ambiente, urbanismo e ciências atmosféricas, o seminário reforça o papel dos espaços de diálogo e divulgação científica na construção de soluções coletivas para os desafios ambientais contemporâneos. O ciclo de seminários do INCT Klimapolis segue ao longo do mês de julho, promovendo encontros interdisciplinares e gratuitos que aproximam pesquisadores, estudantes e profissionais de diferentes áreas em torno de temas urgentes para o futuro das cidades.




