Relatório Nacional Voluntário apresentado no HLPF aponta avanços sociais, mas reconhece que as desigualdades regionais ainda representam um dos principais desafios do país
Nova York (EUA) – A redução da pobreza, o combate à fome e a diminuição das desigualdades marcaram a apresentação do Brasil durante o Fórum Político de Alto Nível sobre Desenvolvimento Sustentável (HLPF), realizado na sede das Nações Unidas (ONU), em Nova York. Ao apresentar o Relatório Nacional Voluntário (VNR), o secretário nacional dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, Laércio Portela Bacarissa, afirmou que o princípio de “não deixar ninguém para trás” permanece como eixo estruturante das políticas públicas brasileiras e orienta as ações voltadas à implementação da Agenda 2030.
Segundo o secretário, o compromisso do país vai além do cumprimento formal dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Para o governo brasileiro, o princípio da inclusão social funciona como referência para a formulação de programas, reformas e investimentos voltados à redução das desigualdades e à promoção do desenvolvimento sustentável.
“Não há desenvolvimento sustentável sem inclusão social, redução das desigualdades e combate à pobreza”, afirmou Bacarissa durante a apresentação.
O relatório destaca que o Brasil voltou a registrar avanços importantes nos indicadores sociais nos últimos anos. Entre eles está a melhora do Índice de Gini, utilizado internacionalmente para medir a desigualdade de renda. Embora o país ainda apresente profundas diferenças entre regiões e grupos sociais, o documento aponta que houve redução da concentração de renda em relação aos anos anteriores.
Outro resultado enfatizado foi a saída do Brasil do Mapa da Fome, anunciada recentemente pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). O secretário atribuiu esse avanço à retomada de políticas públicas voltadas à segurança alimentar, à ampliação da proteção social e ao fortalecimento de programas de transferência de renda, considerados essenciais para reduzir a vulnerabilidade das famílias brasileiras.
Apesar dos resultados positivos, Bacarissa ressaltou que a desigualdade continua sendo um dos maiores desafios para o desenvolvimento do país. Segundo ele, as diferenças regionais ainda afetam o acesso da população à educação, à saúde, ao emprego e às oportunidades de desenvolvimento, exigindo políticas públicas permanentes e articuladas entre União, estados e municípios.
O Relatório Nacional Voluntário também destaca avanços no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). De acordo com o secretário, o Brasil alcançou o melhor resultado de sua série histórica, impulsionado principalmente pelos indicadores de saúde e educação. O desempenho demonstra a recuperação de políticas públicas nessas áreas e reforça a importância de investimentos contínuos para ampliar a qualidade de vida da população.
Outro aspecto ressaltado durante a apresentação foi a geração de emprego e renda como estratégia para consolidar os avanços sociais. O governo informou que vem fortalecendo políticas voltadas ao desenvolvimento econômico com inclusão social, buscando ampliar oportunidades de trabalho, reduzir vulnerabilidades e estimular o crescimento sustentável.
Para Bacarissa, esses resultados demonstram que o desenvolvimento sustentável depende da integração entre crescimento econômico, inclusão social e preservação ambiental, princípios que orientam a Agenda 2030 das Nações Unidas.
O secretário também destacou que os avanços apresentados não representam o fim dos desafios. Com apenas quatro anos restantes para o prazo de cumprimento da Agenda 2030, o Brasil reconhece que será necessário acelerar a implementação das políticas públicas, ampliar investimentos e fortalecer a cooperação entre os diferentes níveis de governo para reduzir desigualdades persistentes e garantir que os benefícios do desenvolvimento alcancem toda a população.
Ao encerrar esse eixo da apresentação, Bacarissa reafirmou que o compromisso brasileiro é construir um modelo de desenvolvimento capaz de combinar crescimento econômico, justiça social e sustentabilidade ambiental. Segundo ele, somente políticas públicas orientadas por evidências, articuladas entre diferentes setores e construídas com ampla participação social serão capazes de garantir que o país avance na implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável até 2030.


