Um estudo internacional coordenado pela professora Maria de Fátima Andrade, pesquisadora de produtividade do CNPq, docente do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo e coordenadora do INCT Klimapolis, analisou quais Soluções Baseadas a Natureza são mais eficazes para reduzir os efeitos do calor extremo nas cidades. A pesquisa indica que intervenções como parques urbanos e arborização podem reduzir a temperatura local em até 4,9 °C, contribuindo diretamente para a mitigação das ilhas de calor urbano, um dos principais desafios impostos pelas mudanças climáticas no ambiente urbano. Desenvolvido no âmbito do projeto GreenCities, o estudo se baseou em uma revisão sistemática de 202 artigos científicos internacionais, comparando diferentes tipos de infraestrutura urbana: verdes, azuis e cinzas, quanto à sua capacidade de resfriamento. Foram analisadas soluções como parques, praças, arborização viária, telhados verdes, corpos d’água, áreas permeáveis e superfícies construídas. A partir dessa análise, os pesquisadores organizaram um ranking das estratégias mais eficientes para mitigar o
aumento das temperaturas nas cidades. Os resultados mostram que grandes áreas verdes apresentam o maior potencial de redução térmica, com diminuição média de até 4,9 °C, seguidas por ruas arborizadas e cercas vivas,que podem reduzir a temperatura em cerca de 3,8 °C. Pequenos espaços verdes urbanos, como praças, parquinhos e áreas de lazer, também contribuem de forma significativa, com reduções médias em torno de 2,9 °C. Esses efeitos estão associados a processos físicos como sombreamento, evapotranspiração da vegetação e maior permeabilidade do solo, que reduzem o acúmulo de calor típico de superfícies asfaltadas e edificadas. Além de amenizar o calor, as Soluções Baseadas na Natureza oferecem uma série de co-benefícios ambientais e sociais, como a melhoria da qualidade do ar, o aumento da biodiversidade urbana, a absorção da água da chuva e impactos positivos sobre a saúde física e mental da população. Para Maria de Fátima Andrade, os resultados reforçam a necessidade de incorporar essas soluções como infraestruturas essenciais no planejamento urbano e nas políticas públicas de adaptação às mudanças climáticas.
Ao apresentar dados quantitativos comparáveis sobre diferentes estratégias de mitigação térmica, o estudo oferece subsídios científicos relevantes para gestores públicos, urbanistas e formuladores de políticas, especialmente diante da intensificação das ondas de calor e de outros eventos climáticos extremos. A pesquisa contribui, assim, para o debate sobre a construção de cidades mais resilientes, inclusivas e preparadas para os desafios climáticos contemporâneos. A matéria completa sobre o estudo foi publicada originalmente no Jornal do Campus, da USP, e pode ser acessada em: https://www.jornaldocampus.usp.br/index.php/2025/10/melhores-solucoes-para-a-crise-climatica-nas-cidades/
Texto: Equipe de Comunicação do INCT Klimapolis
Fonte: Jornal do Campus – USP


